Transtornos de Adaptação – Ajustamento

Transtornos de Adaptação – Ajustamento

Transtorno de Adaptação e Ajustamento Dr. Gabriel Lopes Psiquiatra

 

Critérios Diagnósticos

  1. Desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais em resposta a um estressor ou estressores identificáveis ocorrendo dentro de três meses do início do estressor ou estressores.
  2. Esses sintomas ou comportamentos são clinicamente significativos, conforme evidenciado por um ou mais dos seguintes aspectos:
    1. Sofrimento intenso desproporcional à gravidade ou à intensidade do estressor, considerando-se o contexto cultural e os fatores culturais que poderiam influenciar a gravidade e a apresentação dos sintomas.
    2. Prejuízo significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
  3. A perturbação relacionada ao estresse não satisfaz os critérios de outro transtorno mental e não é meramente uma exacerbação de um transtorno mental preexistente.
  4. Os sintomas não representam luto normal.
  5. Uma vez que o estressor ou suas consequências tenham cedido, os sintomas não persistem por mais de seis meses.

Determinar o subtipo:

Com humor deprimido: Humor deprimido, choro fácil ou sentimentos de desesperança são predominantes.

Com ansiedade: Nervosismo, preocupação, inquietação ou ansiedade de separação são predominantes.

Com misto de ansiedade e depressão: Predomina uma combinação de depressão e ansiedade.

Com perturbação da conduta: Predomina a pertubação da conduta.

Com perturbação mista das emoções e da conduta: Tanto sintomas emocionais (p. ex., depressão, ansiedade) como perturbação da conduta são predominantes.

Não especificado: Para reações mal-adaptativas que não são classificáveis como um dos subtipos específicos do transtorno de adaptação.

Características Diagnósticas

A presença de sintomas emocionais ou comportamentais em resposta a um estressor identificável é o aspecto essencial dos transtornos de adaptação (Critério A). O estressor pode ser um único evento (p. ex., o término de um relacionamento afetivo), ou pode haver múltiplos estressores (p. ex., dificuldades profissionais acentuadas e problemas conjugais). Os estressores podem ser recorrentes (p. ex., associados a crises profissionais cíclicas, relacionamentos sexuais insatisfatórios) ou contínuos (p. ex., uma doença dolorosa persistente com incapacidade crescente, morar em área de alta criminalidade) e podem afetar um único indivíduo ou uma família inteira, um grupo maior ou uma comunidade (p. ex., um desastre natural). Alguns estressores podem acompanhar eventos específicos do desenvolvimento (p. ex., ir para a escola, deixar a casa dos pais, voltar para a casa dos pais, casar-se, tornar-se pai/mãe, fracassar em metas profissionais, aposentadoria).

Transtornos de adaptação podem ser diagnosticados após a morte de um ente querido quando a intensidade, a qualidade e a persistência das reações de luto excedem o que se esperaria normalmente, quando normas culturais, religiosas e apropriadas à idade são consideradas. Um conjunto mais específico de sintomas relacionados ao luto foi designado como transtorno de luto complexo persistente.

Os transtornos de adaptação estão associados a um risco maior de tentativas e consumação de suicídio.

Prevalência

Os transtornos de adaptação são comuns, embora a prevalência varie bastante em função da população estudada e dos métodos de avaliação usados. A porcentagem de indivíduos em tratamento ambulatorial de saúde mental com um diagnóstico principal de transtorno de adaptação vai de aproximadamente 5 a 20%. Em serviços de consultoria psiquiátrica hospitalar, com frequência é o diagnóstico mais comum, chegando muitas vezes a 50%.

Desenvolvimento e Curso

Por definição, a perturbação nos transtornos de adaptação começa dentro de três meses do início de um estressor e não dura mais do que seis meses depois que o estressor e suas consequências cederam. Se o estressor for um evento agudo (p. ex., demissão do emprego), o início da perturbação geralmente é imediato (i.e., dentro de poucos dias) e a duração é relativamente breve (i.e., não mais do que poucos meses). Se o estressor e suas consequências persistirem, o transtorno de adaptação pode manter-se presente e evoluir para a forma persistente.

Fatores de Risco e Prognóstico

Ambientais: Indivíduos com circunstâncias de vida desvantajosas vivenciam uma taxa elevada de estressores e podem estar em risco maior de sofrer transtornos de adaptação.

Questões Diagnósticas Relativas à Cultura

O contexto do ambiente cultural do indivíduo deve ser considerado ao se julgar clinicamente se sua resposta ao estressor é mal-adaptativa ou se o sofrimento associado excede o que se esperaria normalmente. A natureza, o significado e a vivência dos estressores, bem como a avaliação da resposta a eles, podem variar entre as culturas.

Consequências Funcionais dos Transtornos de Adaptação

O sofrimento subjetivo ou o prejuízo ao funcionamento associados aos transtornos de adaptação manifestam-se frequentemente por meio de queda no desempenho profissional ou acadêmico e por meio de mudanças temporárias nas relações sociais. Um transtorno de adaptação pode complicar o curso da doença em indivíduos que tenham uma condição clínica geral (p. ex., menos obediência ao esquema médico recomendado; estada hospitalar mais prolongada).

Diagnóstico Diferencial

 Transtorno depressivo maior: Se um indivíduo tem sintomas que satisfazem os critérios para um transtorno depressivo maior em resposta a um estressor, o diagnóstico de transtorno de adaptação não é aplicável. O perfil sintomático do transtorno depressivo maior o diferencia dos transtornos de adaptação.

 Transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de estresse agudo: Nos transtornos de adaptação, o estressor pode ser de qualquer gravidade em vez da gravidade e do tipo exigidos pelo Critério A do transtorno de estresse agudo e do transtorno de estresse pós-traumático. Ao fazer a distinção entre transtornos desses dois diagnósticos pós-traumáticos, existem considerações tanto temporais como do perfil sintomático. Transtornos de adaptação podem ser diagnosticados imediatamente e persistir por até seis meses depois da exposição ao evento traumático, enquanto o transtorno de estresse agudo só pode ocorrer entre três dias e um mês da exposição ao estressor. Além disso, o TEPT não pode ser diagnosticado até que se tenha passado pelo menos um mês da ocorrência do estressor traumático. O perfil de sintomas exigido pelo TEPT e pelo transtorno de estresse agudo os diferencia dos transtornos de adaptação. Com relação aos perfis sintomáticos, um transtorno de adaptação pode ser diagnosticado após um evento traumático quando um indivíduo exibe sintomas de transtorno de estresse agudo ou de TEPT que não satisfazem nem excedem o limiar diagnóstico dos transtornos. Um transtorno de adaptação também deverá ser diagnosticado para indivíduos que não tenham sido expostos a um evento traumático, mas ainda assim exibem o perfil sintomático pleno de transtorno de estresse agudo ou TEPT.

Transtornos da personalidade: Com relação aos transtornos da personalidade, algumas características da personalidade podem estar associadas a uma vulnerabilidade ao sofrimento situacional que pode assemelhar-se a um transtorno de adaptação. Uma história do funcionamento da personalidade ao longo da vida ajudará na interpretação de comportamentos que expressam sofrimento para auxiliar a distinguir um transtorno da personalidade duradouro de um transtorno de adaptação. Além de alguns transtornos da personalidade que acarretam vulnerabilidade ao sofrimento, estressores também podem exacerbar sintomas de transtornos da personalidade. Na presença de um transtorno da personalidade, se os critérios sintomáticos para um transtorno de adaptação são atendidos, a perturbação relacionada ao estresse excede o que seria atribuível à sintomatologia de transtornos da personalidade mal-adaptativa (i.e., o Critério C é atendido), então o diagnóstico de um transtorno de adaptação deverá ser feito.

 Fatores psicológicos que afetam outras condições médicas: Em fatores psicológicos que afetam outras condições médicas, entidades psicológicas específicas (p. ex., sintomas psicológicos, comportamentos, outros fatores) exacerbam uma condição clínica. Esses fatores psicológicos podem precipitar, exacerbar ou pôr o indivíduo em risco de desenvolver uma doença médica ou piorar uma condição existente. Por sua vez, um transtorno de adaptação é uma reação ao estressor (p. ex., ter uma doença médica).

 Reações normais de estresse: Quando coisas ruins acontecem, a maioria das pessoas se perturba. Não se trata de um transtorno de adaptação. O diagnóstico só deverá ser feito quando a magnitude do sofrimento (p. ex., alterações no humor, na ansiedade ou na conduta) exceder o que se esperaria normalmente (o que pode variar de acordo com as culturas), ou quando o evento adverso desencadear um prejuízo funcional.

Comorbidade

Transtornos de adaptação podem acompanhar a maioria dos transtornos mentais e qualquer distúrbio médico; podem ser diagnosticados junto a um outro transtorno mental apenas se este último não explicar os sintomas particulares que ocorrem na reação ao estressor. Por exemplo, um indivíduo pode desenvolver um transtorno de adaptação, com humor deprimido, depois de perder um emprego e ao mesmo tempo ter um diagnóstico de transtorno obssessivo-compulsivo. Ou, então, um indivíduo pode ter um transtorno depressivo ou bipolar e um transtorno de adaptação desde que os critérios para ambos sejam atendidos. Transtornos de adaptação comumente acompanham as doenças médicas e podem ser a principal resposta psicológica a um distúrbio médico.

Fonte: DSM-V

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais empreenda qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.
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