Transtorno Explosivo Intermitente (TEI)

Transtorno Explosivo Intermitente (TEI)

Transtorno Explosivo Intermitente    312.34 (F63.81)

Critérios Diagnósticos

  1. Explosões comportamentais recorrentes representando uma falha em controlar impulsos agressivos, conforme manifestado por um dos seguintes aspectos:
  1. Agressão verbal (p.ex., acessos de raiva, injúrias, discussões ou agressões verbais) ou agressão física dirigida a propriedade, animais ou outros indivíduos, ocorrendo em uma média de duas vezes por semana, durante um período de três meses. A agressão física não resulta em danos ou destruição de propriedade nem em lesões físicas em animais ou em outros indivíduos.
  2. Três explosões comportamentais envolvendo danos ou destruição de propriedade e/ou agressão física envolvendo lesões físicas contra animais ou outros indivíduos ocorrendo dentro de um período de 12 meses.
  1. A magnitude da agressividade expressa durante as explosões recorrentes é grosseiramente desproporcional em relação à provocação ou a quaisquer estressores psicossociais precipitantes.
  2. As explosões de agressividade recorrentes não são premeditadas (i.e., são impulsivas e/ou decorrentes de raiva) e não têm por finalidade atingir algum objetivo tangível (p. ex., dinheiro, poder, intimidação).
  3. As explosões de agressividade recorrentes causam sofrimento acentuado ao indivíduo ou prejuízo no funcionamento profissional ou interpessoal ou estão associadas a consequências financeiras ou legais.
  4. A idade cronológica é de pelo menos 6 anos (ou nível de desenvolvimento equivalente).
  5. As explosões de agressividade recorrentes não são mais bem explicadas por outro transtorno mental (p. ex., transtorno depressivo maior, transtorno bipolar, transtorno disruptivo da desregulação do humor, um transtorno psicótico, transtorno da personalidade antissocial, transtorno da personalidade borderline) e não são atribuíveis a outra condição médica (p. ex., traumatismo craniano, doença de Alzheimer) ou aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento). No caso de crianças com idade entre 6 e 18 anos, o comportamento agressivo queocorre como parte do transtorno de adaptação não deve ser considerado para esse diagnóstico.

Nota: Este diagnóstico pode ser feito em adição ao diagnóstico de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, transtorno da conduta, transtorno de oposição desafiante ou transtorno do espectro autista nos casos em que as explosões de agressividade impulsiva recorrentes excederem aquelas normalmente observadas nesses transtornos e justificarem atenção clínica independente.

Características Diagnósticas

As explosões de agressividade impulsivas (ou decorrentes de raiva) no transtorno explosivo intermitente têm início rápido e, geralmente, pouco ou nenhum período prodrômico. Em geral, as explosões duram menos de 30 minutos e costumam ocorrer em resposta a uma provocação mínima por um amigo íntimo ou um colega. Com frequência, indivíduos com transtorno explosivo intermitente apresentam episódios menos graves de violência verbal e/ou física que não causa dano, destruição ou lesões (Critério A1) em meio a episódios mais graves, destrutivos/violentos (Critério A2). O Critério A1 define explosões de agressividade frequentes (i.e., duas vezes por semana em média, por um período de três meses) que se caracterizam por acessos de raiva, injúrias, discussões verbais ou brigas ou violência sem causar danos a objetos ou lesões em animais ou em outros indivíduos. O Critério A2 define explosões de agressividade impulsivas infrequentes (i.e., três no período de um ano) que se caracterizam por causar danos materiais ou destruir um objeto, seja qual for seu valor tangível, ou por violência/ataque ou outra lesão física em um animal ou outro indivíduo. Independentemente da natureza da explosão de agressividade impulsiva, a característica básica do transtorno explosivo intermitente é a incapacidade de controlar comportamentos agressivos impulsivos em resposta a provocações vivenciadas subjetivamente (i.e., estressores psicossociais) que em geral não resultariam em explosões agressivas (Critério B). De maneira geral, as explosões de agressividade são impulsivas e/ou decorrentes de raiva, em vez de serem premeditadas ou instrumentais (Critério C) e estão associadas a sofrimento significativo ou a prejuízos na função psicossocial (Critério D). Um diagnóstico de transtorno explosivo intermitente não deve ser feito em indivíduos com idade inferior a 6 anos ou nível equivalente de desenvolvimento (Critério E) ou naqueles cujas explosões de agressividade forem mais bem explicadas por outro transtorno mental (Critério F). Um diagnóstico de transtorno explosivo intermitente não deve ser feito em indivíduos com transtorno disruptivo da desregulação do humor ou naqueles cujas explosões de agressividade impulsivas forem atribuíveis a outra condição médica ou a efeitos fisiológicos de uma substância (Critério F). Além disso, crianças com idade entre 6 e 18 anos não devem receber esse diagnóstico em situações nais quais as explosões de agressividade impulsivas ocorrerem no contexto de um transtorno de adaptação (Critério F).

Características Associadas que Apoiam o Diagnóstico

Os transtornos do humor (unipolar), de ansiedade e por uso de substâncias estão associados ao transtorno explosivo intermitente, embora, normalmente, o início desses transtornos ocorra mais tarde do que o transtorno explosivo intermitente.

Prevalência

A prevalência em um ano de transtorno explosivo intermitente nos Estados Unidos é de 2,7% (definição estrita). É mais prevalente entre indivíduos mais jovens (p. ex., idade inferior a 35 a 40 anos), em comparação com mais velhos (acima de 50 anos), e em pessoas com nível de educação médio ou inferior.

Desenvolvimento e Curso

O início de comportamentos agressivos impulsivos problemáticos recorrentes é mais comum na fase final da infância ou na adolescência e raramente inicia depois dos 40 anos de idade. Geralmente, as características centrais do transtorno explosivo intermitente são persistentes e continuam por muitos anos.

O curso do transtorno pode ser episódico, com períodos recorrentes de explosões de agressividade impulsivas. O transtorno aparentemente segue um curso crônico e persistente ao longo de muitos anos e parece ser relativamente comum independentemente da presença ou ausência de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade ou transtornos disruptivos do controle de impulsos e da conduta (p. ex., transtorno da conduta, transtorno de oposição desafiante).

Fatores de Risco e Prognóstico

Ambientais. Indivíduos com história de trauma físico e emocional durante as primeiras duas décadas de vida estão em risco aumentado para transtorno explosivo intermitente.

Genéticos e fisiológicos. Parentes de primeiro grau de indivíduos com transtorno explosivo intermitente estão em risco aumentado para esse transtorno, sendo que estudos de gêmeos demonstraram uma influência genética substancial para agressão impulsiva.

Pesquisas dão suporte neurobiológico para a presença de anormalidades serotonérgicas, em termos globais e no cérebro, especificamente em áreas do sistema límbico (cingulado anterior) e do córtex orbitofrontal em indivíduos com transtorno explosivo intermitente. Em exames de ressonância magnética funcional, as respostas da amígdala a estímulos de raiva são mais intensas em indivíduos com transtorno explosivo intermitente em comparação com indivíduos saudáveis.

Questões Diagnósticas Relativas à Cultura

A prevalência mais baixa do transtorno explosivo intermitente em algumas regiões (Ásia, Oriente Médio) ou países (Romênia, Nigéria), em comparação com os Estados Unidos, sugere que informações sobre comportamentos agressivos impulsivos, recorrentes e problemáticos ou não surgem quando questionadas, ou têm menor probabilidade de estarem presentes devido a fatores culturais.

Questões Diagnósticas Relativas ao Gênero

Em alguns estudos, a prevalência do transtorno explosivo intermitente é maior no sexo masculino do que no feminino (razão de chances = 1,4-2,3); outros estudos não encontraram nenhuma diferença de gênero.

Consequências Funcionais do Transtorno Explosivo Intermitente

Problemas sociais (p. ex., perda de amigos ou parentes, instabilidade conjugal), profissionais (p. ex., rebaixamento de posto, perda de emprego), financeiros (p. ex., causados pelo valor de objetos destruídos) e legais (p. ex., ações civis resultantes de comportamentos agressivos contra pessoas ou propriedades; ações criminais por violência) frequentemente ocorrem como resultado do transtorno explosivo intermitente.

Diagnóstico Diferencial

Um diagnóstico de transtorno explosivo intermitente não deve ser feito nos casos em que os Critérios A1 e/ou A2 forem preenchidos somente durante um episódio de outro transtorno mental (p. ex., transtorno depressivo maior, transtorno bipolar, transtorno psicótico) ou quando as explosões de agressividade impulsivas forem atribuíveis a outra condição médica ou aos efeitos fisiológicos de uma substância ou medicamento. Esse diagnóstico também não poderá ser feito, principalmente em crianças e adolescentes com 6 a 18 anos, quando as explosões de agressividade impulsivas ocorrerem no contexto de um transtorno de adaptação. Outros exemplos nos quais explosões de agressividade impulsivas, recorrentes e problemáticas podem (ou não) ser diagnosticadas como transtorno explosivo intermitente incluem os apresentados a seguir.

Transtorno disruptivo da desregulação do humor. Em contraste com o transtorno explosivo intermitente, o transtorno disruptivo da desregulação do humor caracteriza-se por um estado de humor persistentemente negativo (i.e., irritabilidade, raiva) na maior parte do dia, quase todos os dias, entre explosões de agressividade impulsivas. O diagnóstico de transtorno disruptivo da desregulação do humor somente poderá ser feito nas situações em que o início das explosões de agressividade impulsivas, recorrentes e problemáticas ocorrer antes dos 10 anos de idade. Por fim, o diagnóstico de transtorno disruptivo da desregulação do humor não deverá ser feito pela primeira vez após os 18 anos de idade. Além disso, esses diagnósticos são mutuamente exclusivos.

Transtorno da personalidade antissocial ou transtorno da personalidade borderline. Com frequência, indivíduos com transtorno da personalidade antissocial ou borderline apresentam ataques de agressividade impulsivos, recorrentes e problemáticos. Entretanto, os níveis de agressividade impulsiva nessas pessoas são inferiores aos daquelas com transtorno explosivo intermitente.

Delirium, transtorno neurocognitivo maior e mudança de personalidade causada por outra condição médica, tipo agressiva. O diagnóstico de transtorno explosivo intermitente não deve ser feito nas situações em que se julgar que as explosões de agressividade são resultado dos efeitos fisiológicos de alguma outra condição médica diagnosticável (p. ex., traumatismo encefálico associado a uma mudança na personalidade caracterizada por explosões de agressividade; epilepsia parcial complexa). Anormalidades inespecíficas encontradas no exame neurológico (p. ex., “sinais leves”) e alterações eletrencefalográficas inespecíficas são compatíveis com o diagnóstico de transtorno explosivo intermitente, a menos que exista alguma condição médica diagnosticável que explique melhor as explosões de agressividade impulsivas.

Intoxicação por substâncias ou abstinência de substâncias. O diagnóstico de transtorno explosivo intermitente não deve ser feito nas situações em que as explosões de agressividade impulsivas estiverem quase sempre associadas a intoxicação ou abstinência de substâncias (p. ex., álcool, fenciclidina, cocaína e outros estimulantes, barbitúricos, inalantes). No entanto, quando um número suficiente de explosões de agressividade impulsivas também ocorrer na ausência de intoxicação ou abstinência de substâncias, e essas situações justificarem atenção clínica independente, um diagnóstico de transtorno explosivo intermitente pode ser feito.

Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, transtorno da conduta, transtorno de oposição desafiante ou transtorno do espectro autista. Indivíduos com qualquer um desses transtornos com início na infância podem ter explosões de agressividade impulsivas. Em geral, os indivíduos com TDAH são impulsivos e, como resultado, poderão ter também explosões de agressividade impulsivas. Embora pessoas com transtorno da conduta possam ter explosões de agressividade impulsivas, a forma de agressividade caracterizada pelos critérios diagnósticos é proativa e predatória. A agressividade no transtorno de oposição desafiante caracteriza-se principalmente por ataques de raiva e questionamentos verbais com figuras de autoridade, enquanto as explosões de agressividade impulsivas no transtorno explosivo intermitente são respostas a um amplo grupo de provocações e incluem violência física. O nível de agressividade impulsiva em indivíduos com história de um ou mais de um desses transtornos foi considerado inferior em comparação àqueles cujos sintomas também preenchem os Critérios A a E do transtorno explosivo intermitente. Da mesma forma, se os Critérios A a E também forem preenchidos, e as explosões de agressividade impulsivas justificarem atenção clínica independente, pode-se fazer um diagnóstico de transtorno explosivo intermitente.

Comorbidade

Transtornos depressivos, de ansiedade e por uso de substâncias são frequentemente comórbidos com o transtorno explosivo intermitente. Além disso, indivíduos com transtorno da personalidade antissocial ou borderline, assim como aqueles com história de transtornos com comportamentos disruptivos (p. ex., TDAH, transtorno da conduta, transtorno de oposição desafiante), apresentam um risco aumentado para transtorno explosivo intermitente comórbido.

(DSM-5)

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais empreenda qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.
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