Encoprese

Encoprese

encoprese dr gabriel lopes psiquiatra

Critérios Diagnósticos

  1. Eliminação intestinal repetida de fezes em locais inapropriados (p. ex., roupa, chão), voluntária ou involuntária.
  2. Pelo menos um evento desse tipo ocorre a cada mês por pelo menos três meses.
  3. A idade cronológica mínima é de 4 anos (ou nível de desenvolvimento equivalente).
  4. O comportamento não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., laxantes) ou a outra condição médica, exceto por um mecanismo envolvendo constipação.

Determinar o subtipo:

 Com constipação e incontinência por extravasamento: Há evidência de constipação no exame físico ou pela história.   Sem constipação e incontinência por extravasamento: Não há evidência de constipação no exame físico ou pela história.

Subtipos

As fezes no subtipo com constipação e incontinência por extravasamento são caracteristicamente (mas não invariavelmente) malformadas, e o extravasamento pode ser infrequente a contínuo, ocorrendo sobretudo durante o dia e raramente durante o sono. Apenas parte das fezes é evacuada durante a ida ao banheiro, e a incontinência cede depois do tratamento da constipação.

No subtipo sem constipação e incontinência por extravasamento, é provável que as fezes tenham forma e consistência normais, e a defecação é intermitente. As fezes podem ser depositadas em um local destacado, o que normalmente está associado à presença de transtorno de oposição desafiante ou transtorno da conduta, ou pode ser consequência de masturbação anal. A incontinência fecal sem constipação parece ser menos comum do que a incontinência com constipação.

Características Diagnósticas

O aspecto característico da encoprese é a eliminação repetida de fezes em locais inapropriados (p. ex., roupa ou chão) (Critério A). Com mais frequência, essa eliminação é involuntária, porém ocasionalmente pode ser intencional. É preciso que o evento ocorra no mínimo uma vez por mês durante pelo menos três meses (Critério B) e que a idade cronológica da criança seja de no mínimo 4 anos (ou, no caso de crianças com atraso no desenvolvimento, a idade mental deve ser de pelo menos 4 anos) (Critério C). A incontinência fecal não deve ser atribuível exclusivamente aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., laxantes) ou a outra condição médica, exceto por um mecanismo envolvendo constipação (Critério D).

Quando a eliminação de fezes é involuntária e não intencional, com frequência está relacionada a constipação, impactação e retenção com extravasamento subsequente. A constipação pode se desenvolver por razões psicológicas (p. ex., ansiedade a respeito de defecar em um determinado local, um padrão mais generalizado de comportamento ansioso ou opositivo), levando à evitação de defecar. Predisposições fisiológicas à constipação incluem uma força de defecação ineficaz ou uma dinâmica de defecação paradoxal, com contração em vez de relaxamento do esfincter externo ou do assoalho pélvico durante o esforço para defecar. A desidratação associada a enfermidade febril, hipotireoidismo ou um efeito colateral de medicação também pode induzir constipação. Uma vez desenvolvida, a constipação pode ser complicada por fissura anal, defecação dolorosa e mais retenção fecal. A consistência das fezes pode variar. Em alguns indivíduos, podem ter consistência normal ou quase normal. Em outros – como os que sofrem de incontinência por extravasamento secundário a retenção fecal –, podem ser líquidas.

 

Características Associadas que Apoiam o Diagnóstico

A criança com encoprese frequentemente se sente envergonhada e pode desejar evitar situações (p. ex., acampamento, escola) que possam causar constrangimentos. O grau de prejuízo depende do efeito na autoestima da criança, do nível de rejeição social pelos pares e da raiva, punição e rejeição por parte dos cuidadores. Sujar-se com fezes pode ser um ato deliberado ou acidental, resultando da tentativa da criança de limpar ou esconder fezes que foram evacuadas involuntariamente. Quando a incontinência é claramente deliberada, aspectos do transtorno de oposição desafiante ou do transtorno da conduta podem também estar presentes. Muitas crianças com encoprese e constipação crônica também apresentam sintomas de enurese e podem ter refluxo vesicoureteral, que pode levar a infecções urinárias crônicas, cujos sintomas podem ceder com o tratamento da constipação.

Prevalência

Estima-se que aproximadamente 1% das crianças de 5 anos de idade tenham encoprese, e o transtorno é mais comum no sexo masculino do que no feminino.

Desenvolvimento e Curso

A encoprese não é diagnosticada até a criança ter chegado a uma idade cronológica mínima de 4 anos (ou, no caso de crianças com atraso no desenvolvimento, uma idade mental de no mínimo 4 anos). O treinamento inadequado do controle esfincteriano e estresses psicológicos (p. ex., entrada na escola, nascimento de irmão) podem ser fatores predisponentes. Dois tipos de curso foram descritos: um tipo “primário”, no qual o indivíduo jamais chegou a estabelecer a continência fecal, e um tipo “secundário”, no qual a perturbação se desenvolve depois de um período de continência fecal estabelecida. A encoprese pode persistir, com exacerbações intermitentes, por anos.

Fatores de Risco e Prognóstico 

Genéticos e fisiológicos. A defecação dolorosa pode levar a constipação e a um ciclo de comportamentos de retenção que tornam a encoprese mais provável. O uso de medicamentos (p. ex., anticonvulsivantes, antitussígenos) pode aumentar a constipação e também tornar a encoprese mais provável.

Marcadores Diagnósticos

Além do exame físico, exames de imagem gastrintestinais (p. ex., radiografia abdominal) podem ser informativos para determinar fezes retidas e gás no colo. Testes adicionais, como enema de bário e manometria anorretal, podem ser usados para ajudar a excluir outras condições médicas, como a doença de Hirschsprung.

Diagnóstico Diferencial

Um diagnóstico de encoprese na presença de outra condição médica é adequado apenas se o mecanismo envolver constipação que não possa ser explicada por outras condições médicas. Incontinência fecal relacionada a outras condições médicas (p. ex., diarreia crônica, espinha bífida, estenose anal) não justificaria um diagnóstico de encoprese do DSM-5.

Comorbidade

Infecções do trato urinário podem ser comórbidas com encoprese e são mais comuns no sexo feminino.

 

Fonte: DSM-V

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais empreenda qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.
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