Catatonia

Catatonia

Catatonia Dr. Gabriel Lopes Psiquiatra

A Catatonia pode ocorrer no contexto de vários transtornos, incluindo transtorno do neurodesenvolvimento, bipolar, depressivo e outras condições médicas (p. ex., deficiência de folato no cérebro, doenças autoimunes e paraneoplásicas raras). O Manual não trata a catatonia como uma classe independente, mas reconhece: a) catatonia associada a outro transtorno mental (i.e., transtorno do neurodesenvolvimento, transtorno psicótico, transtorno bipolar, transtorno depressivo e outro transtorno mental), b) transtorno catatônico devido a outra condição médica e c) catatonia não especificada.

A catatonia é definida pela presença de três ou mais de 12 características psicomotoras nos critérios diagnósticos de catatonia associada a outro transtorno mental e transtorno catatônico devido a outra condição médica. A característica essencial da catatonia é uma perturbação psicomotora acentuada que pode envolver atividade motora diminuída, participação diminuída durante entrevista ou exame físico ou atividade motora excessiva e peculiar.

A apresentação clínica da catatonia pode confundir, uma vez que a perturbação psicomotora pode variar desde ausência acentuada de resposta até agitação acentuada. A imobilidade motora pode ser grave (estupor) ou moderada (catalepsia e flexibilidade cérea). Igualmente, a participação diminuída pode ser grave (mutismo) ou moderada (negativismo). Comportamentos motores excessivos e peculiares podem ser complexos (p. ex., estereotipia) ou simples (agitação), podendo incluir ecolalia e ecopraxia. Em casos extremos, a mesma pessoa pode ter aumentos e diminuições entre atividade motora reduzida e excessiva. As características clínicas aparentemente opostas e as manifestações variáveis do diagnóstico contribuem para falta de percepção e redução do reconhecimento da catatonia. Durante seus estágios graves, o indivíduo pode precisar de supervisão atenta para evitar autolesão e lesão a outros. Há riscos potenciais decorrentes de desnutrição, exaustão, hiperpirexia e lesão autoinfligida.

Catatonia Associada a Outro Transtorno Mental (Especificador de Catatonia)

  1. O quadro clínico é dominado por três (ou mais) dos sintomas a seguir:
  2. Estupor (i.e., ausência de atividade psicomotora; sem relação ativa com o ambiente).
  3. Catalepsia (i.e., indução passiva de uma postura mantida contra a gravidade).
  4. Flexibilidade cérea (i.e., resistência leve ao posicionamento pelo examinador).
  5. Mutismo (i.e., resposta verbal ausente ou muito pouca [excluir com afasia conhecida]).
  6. Negativismo (i.e., oposição ou resposta ausente a instruções ou a estímulos externos).
  7. Postura (i.e., manutenção espontânea e ativa de uma postura contrária à gravidade).
  8. Maneirismo (i.e., caricatura esquisita e circunstancial de ações normais).
  9. Estereotipia (i.e., movimentos repetitivos, anormalmente frequentes e não voltados a metas).
  10. Agitação, não influenciada por estímulos externos.
  11. Caretas.
  12. Ecolalia (i.e., imitação da fala de outra pessoa).
  13. Ecopraxia (i.e., imitação dos movimentos de outra pessoa).

Nota para codificação: Indicar o nome do transtorno mental associado ao registrar o nome da condição (i.e., catatonia associada a transtorno depressivo maior). Codificar primeiro o transtorno mental associado (p. ex., transtorno do neurodesenvolvimento, transtorno psicótico breve, transtorno esquizofreniforme, esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, transtorno bipolar, transtorno depressivo maior ou outro transtorno mental) (p.ex.,  transtorno esquizoafetivo, tipo depressivo; catatonia associada a transtorno esquizoafetivo).

Características Diagnósticas

A catatonia associada a outro transtorno mental (especificador de catatonia) pode ser diagnosticada quando atendidos critérios de catatonia durante o curso de um transtorno do neurodesenvolvimento, psicótico, bipolar, depressivo ou outro transtorno mental. O especificador de catatonia é apropriado quando o quadro clínico se caracteriza por perturbação psicomotora acentuada e envolve pelo menos três das 12 características diagnósticas listadas no Critério A.

A catatonia costuma ser diagnosticada em contexto de internação, e ela ocorre em até 35% das pessoas com esquizofrenia. A maioria dos casos de catatonia, no entanto, envolve indivíduos com transtornos depressivos ou bipolares. Antes de ser usado o especificador de catatonia nos transtornos do neurodesenvolvimento, psicótico, bipolar, depressivo ou outro transtorno mental, precisa ser descartada uma ampla gama de outras condições médicas; estas incluem, embora não se limitem a elas, condições médicas devidas a condições infecciosas, metabólicas ou neurológicas (ver “Transtorno Catatônico Devido a Outra Condição Médica”). A catatonia pode também ser efeito colateral de um medicamento (ver o capítulo “Transtornos do Movimento Induzidos por Medicamentos e Outros Efeitos Adversos de Medicamentos”). Devido à gravidade das complicações, deve ser dada atenção especial à possibilidade de a catatonia ser atribuível a síndrome neuroléptica maligna.

Transtorno Catatônico Devido a Outra Condição Médica

Critérios diagnósticos

  1. O quadro clínico é dominado por três (ou mais) dos sintomas a seguir:
  2. Estupor (i.e., ausência de atividade psicomotora; sem relação ativa com o ambiente).
  3. Catalepsia (i.e., indução passiva de uma postura mantida contra a gravidade).
  4. Flexibilidade cérea (i.e., resistência leve ao posicionamento pelo examinador).
  5. Mutismo (i.e., resposta verbal ausente ou muito pouca [Nota: não se aplica se houver afasia estabelecida]).
  6. Negativismo (i.e., oposição ou ausência de resposta a instruções ou a estímulos externos).
  7. Postura (i.e., manutenção espontânea e ativa de uma postura contrária à gravidade).
  8. Maneirismo (i.e., caricatura esquisita e circunstancial de ações normais).
  9. Estereotipia (i.e., movimentos repetitivos, anormalmente frequentes e não voltados a metas).
  10. Agitação, não influenciada por estímulos externos.
  11. Caretas.
  12. Ecolalia (i.e., imitação da fala de outra pessoa).
  13. Ecopraxia (i.e., imitação dos movimentos de outra pessoa).
  14. Há evidências da história, do exame físico ou de achados laboratoriais de que a perturbação é a consequência fisiopatológica direta de outra condição médica.
  15. A perturbação não é mais bem explicada por outro transtorno mental (p. ex., um episódio maníaco).
  16. A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de delirium.
  17. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

 

 

Características Diagnósticas

A característica essencial de um transtorno catatônico devido a outra condição médica é a presença de catatonia que, supostamente, é atribuída aos efeitos fisiológicos de outra condição médica. A catatonia pode ser diagnosticada pela presença de pelo menos três de 12 características clínicas do Critério A. Deve haver evidências da história, do exame físico ou de achados laboratoriais de que a catatonia é atribuível a outra condição médica (Critério B). Não é dado o diagnóstico se a catatonia for mais bem explicada por outro transtorno mental (p. ex., episódio maníaco) (Critério C) ou se ela ocorrer exclusivamente durante o curso de delirium (Critério D).

Características Associadas que Apoiam o Diagnóstico

Uma variedade de condições médicas pode causar catatonia, em especial condições neurológicas (p. ex., neoplasias, trauma encefálico, doença vascular encefálica, encefalite) e metabólicas (p. ex., hipercalcemia, encefalopatia hepática, homocistinúria, cetoacidose diabética). Os achados do exame físico associado, laboratoriais e os padrões de prevalência e aparecimento refletem os da condição médica etiológica.

Diagnóstico Diferencial

Um diagnóstico separado de transtorno catatônico devido a outra condição médica não é dado se a catatonia ocorrer exclusivamente durante o curso de delirium ou síndrome neuroléptica maligna. Quando o indivíduo está tomando medicamento neuroléptico, devem ser levados em conta transtornos do movimento induzidos por medicamento (p. ex., posicionamento anormal pode ser devido a distonia aguda induzida por neuroléptico) ou síndrome neuroléptica maligna (p. ex., características tipo catatônicas podem estar presentes, com sinais vitais e/ou anormalidades laboratoriais associadas). Sintomas catatônicos podem estar presentes em qualquer um dos cinco transtornos psicóticos a seguir: transtorno psicótico breve, transtorno esquizofreniforme, esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo e transtorno psicótico induzido por substância/medicamento. Podem também estar presentes em alguns transtornos do neurodesenvolvimento, em todos os transtornos bipolares ou depressivos e em outros transtornos mentais.

Catatonia Não Especificada

Esta categoria aplica-se a apresentações em que sintomas característicos de catatonia causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo, embora não haja clareza quanto à natureza do transtorno mental subjacente ou de outra condição médica, não sejam satisfeitos todos os critérios para catatonia ou a informação existente não seja suficiente para que seja feito um diagnóstico mais específico (p. ex., em salas de emergência).

 

Fonte: DSM-V

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais empreenda qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.

 

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