Introdução

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma das condições neuropsiquiátricas mais estudadas do mundo. Embora seu diagnóstico seja amplamente reconhecido e sua prevalência global esteja bem documentada, as origens do TDAH ainda são um tema de intenso debate na comunidade científica. O que causa o TDAH? Ele é apenas genético? Há fatores ambientais envolvidos?

Neste artigo, exploramos as principais teorias sobre a origem do TDAH, com base nas mais recentes descobertas da neurociência e da genética.


1. A Teoria Genética: O Papel da Hereditariedade

Estudos indicam que o TDAH tem uma forte base genética. Gêmeos idênticos, por exemplo, apresentam taxas de concordância para o transtorno superiores a 75%, o que sugere uma influência genética significativa. Além disso, diversas pesquisas demonstraram que pais e irmãos de indivíduos com TDAH têm maior probabilidade de apresentar o transtorno.

Os principais genes associados ao TDAH incluem:

  • Genes relacionados à dopamina (DRD4 e DAT1) – Afetam a regulação desse neurotransmissor essencial para a atenção e o controle dos impulsos.
  • Gene SNAP-25 – Envolvido na transmissão de sinais entre os neurônios.
  • Gene COMT – Relacionado ao metabolismo da dopamina no córtex pré-frontal, uma área crítica para funções executivas.

Essas descobertas reforçam que o TDAH é, em grande parte, hereditário, mas fatores ambientais também desempenham um papel crucial na manifestação do transtorno.


2. A Teoria Neurobiológica: Alterações no Cérebro do TDAH

Pesquisas com neuroimagem mostraram que pessoas com TDAH apresentam diferenças estruturais e funcionais em regiões específicas do cérebro. Entre as principais descobertas estão:

  • Redução do volume do córtex pré-frontal – Área responsável pelo planejamento, tomada de decisões e controle da impulsividade.
  • Disfunções nos núcleos da base – Relacionados ao controle motor e ao aprendizado de hábitos.
  • Menor conectividade entre diferentes áreas do cérebro – Especialmente entre o córtex pré-frontal e o sistema límbico, que regula emoções.
  • Alterações nos níveis de dopamina e noradrenalina – Esses neurotransmissores são fundamentais para a regulação da atenção e do comportamento.

Essas evidências indicam que o TDAH não é um transtorno “comportamental” ou “educacional”, mas sim uma condição neurobiológica com bases estruturais bem definidas.


3. A Influência dos Fatores Ambientais: O Papel da Epigenética

Embora a genética desempenhe um papel central, fatores ambientais podem modular a expressão dos genes e influenciar a gravidade dos sintomas. Entre os principais fatores ambientais associados ao TDAH, destacam-se:

  • Exposição a substâncias durante a gestação – Consumo de álcool, tabaco e outras drogas pela mãe pode aumentar o risco de TDAH na criança.
  • Prematuridade e baixo peso ao nascer – Estudos indicam que bebês prematuros apresentam maior risco de desenvolver TDAH.
  • Deficiências nutricionais – Baixos níveis de ferro, zinco e ômega-3 podem impactar o desenvolvimento cerebral e agravar os sintomas.
  • Ambientes altamente estressantes na infância – Exposição a traumas, negligência ou ambientes familiares disfuncionais podem amplificar os sintomas do TDAH.

A interação entre genética e ambiente, conhecida como epigenética, é um dos campos mais promissores na pesquisa do TDAH, pois ajuda a entender por que algumas pessoas com predisposição genética desenvolvem o transtorno e outras não.


4. A Teoria Evolutiva: O TDAH Como um Traço Adaptativo

Outra perspectiva interessante é a teoria evolutiva do TDAH. Segundo essa hipótese, os traços característicos do transtorno – impulsividade, hiperatividade e busca por novidades – podem ter sido vantajosos para os ancestrais humanos.

Em sociedades de caçadores-coletores, indivíduos mais impulsivos e atentos a múltiplos estímulos poderiam ter uma vantagem na busca por alimentos e na detecção de predadores. No entanto, em sociedades modernas, onde são exigidas habilidades de foco prolongado e organização rígida, esses mesmos traços podem se tornar disfuncionais.

Essa teoria não nega a existência do TDAH como um transtorno, mas sugere que sua alta prevalência pode estar ligada a características que foram, em algum momento da história evolutiva, vantajosas para a sobrevivência.


Conclusão: O TDAH Tem uma Origem Multifatorial

Com base nas evidências científicas disponíveis, podemos afirmar que o TDAH é um transtorno multifatorial, que envolve uma interação complexa entre fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais. Nenhuma dessas teorias isoladamente explica completamente o TDAH, mas juntas nos ajudam a compreender melhor sua origem e a importância do tratamento adequado.

Se você ou alguém que conhece tem TDAH, lembre-se de que o acompanhamento médico e psicológico adequado pode fazer toda a diferença. O conhecimento sobre as causas do transtorno também ajuda a reduzir estigmas e a promover uma abordagem mais empática e eficaz para quem vive com essa condição.

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